Venho informar a todos que este blog está de mudança.
Recebi um convite pra participar de um projeto maravilhoso com pessoas incríveis e resolvi aceitar o desafio. A casa por lá está sendo arrumada, assim que ficar tudo pronto, eu dou um toque.
O Dois Minutos e Meio tem menos de um ano (como assim? Só me dei conta disso agora!) e surgiu como uma forma mesmo de catalogar as coisas legais que eu acho interessante na internet e por aí. Nunca tive a menor pretensão de levar esse conteúdo pra lugar nenhum, mas fico feliz e lisonjeado que as pessoas se interessem por esse garimpo que eu venho fazendo.
E claro, agradecer a todo mundo que vem aqui, que deixa comentário e troca figurinhas comigo. Essa vontade de investigar e dividir com vocês as coisas que me chamam atenção, me fez aprender bastante sobre várias coisas e até me aproximar de pessoas incríveis no meio do caminho.
Então é isso, o próximo post vai ser pra deixar o endereço e convidar vocês pra dar uma olhada, não só no meu novo blog, mas também no trabalho do pessoal por lá, que é BEM LEGAL! Espero vocês na casa nova, ok? Apareçam!
“Um conselho: se alguém, algum dia, acusá-lo de viver fora da realidade, em geral é porque você está se divertindo demais. Mande-os todos à merda e continue a fazer o que estava fazendo.”
O Congresso discute um projeto que propõe que a busca da felicidade passa a fazer parte dos direitos fundamentais garantidos pela Constituição.
“Eu sou sempre assim, com um sorriso no rosto. Uma pessoa feliz”, conta a vendedora Fernanda Gomes.
A felicidade que está escancarada no rosto de tanta gente pode virar lei. É o que propõe um projeto que esta sendo discutido no Congresso.
A busca da felicidade passaria a fazer parte de nossos direitos fundamentais, garantidos pela Constituição. Como ter trabalho, moradia, lazer, segurança, previdência privada.
“A felicidade é uma condição pessoal. Ela não é uma condição política, você sente nos momentos em que você sente que você se realizou pessoalmente. Está de acordo com sua vida, seu principio”, explica a professora de Filosofia da PUC-SP Dulce Critelli.
“A felicidade anda dentro de um curto roteiro: felicidade é amor, paz, saúde e dinheiro”, canta um repentista.
Ter os direitos garantidos é fundamental. E agora no fim do ano outros desejos também ganham importância.
A época propõe uma reflexão mesmo: é Natal, 2010 está acabando. E será que fomos felizes este ano? Ah, essa palavra: felicidade. Tão repetida por todos nós e com significados tão diferentes.
“Ganhar um carro”, diz uma mulher.
“Eu gostaria de ir pro Egito”, diz um homem.
“Ser empresário para fazer uma viagem pro exterior”, conta outro homem.
“Estivesse um maravilhoso sol lá fora, e estivesse com o cabelo escovado”, brinca uma mulher.
Ter dinheiro, casa, carro: tudo isso é importante, dá estabilidade, dá conforto. Mas, para muita gente, felicidade não se conjuga com o verbo ter.
“A felicidade é o dia a dia, acordar bem ser saudável”, diz um homem.
“Uma tarde com elas no shopping, fazer o que elas gostam é o máximo”, comenta outro homem.
“Me deixa feliz ver os outros felizes”, fala uma mulher.
“A gente vê as pessoas bem faz a gente ser feliz”, conta uma mulher. “E gente vive com os outros, a gente precisa dos outros o homem é aquela criatura que tem alegria de viver entre os homens. Por isso, talvez, ver a felicidade do outro é se sentir feliz”, explica a professora.
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Não teve como ler essa matéria e não lembrar de:
“Agora eu era o rei, era o bedel e era também juiz. E pela minha lei, a gente era obrigado a ser feliz…”
Gente que Sabe o seu Lugar (Apartheid Brasileiro, 4 de 4)
Desde que passei a morar fora, o que mais me incomoda nas visitas ao Brasil é o modo deferente como sou tratado pelas pessoas que acham que são inferiores a mim, pelas pessoas que pertencem à casta dos intocáveis, pelas pessoas que aprenderam desde cedo a respeitar todos os caprichos dos sinhôzinhos (até mesmo os de oito anos!), pelas pessoas que olham pra baixo, não respondem, não questionam, não criam caso.
Eu fico doente, incomodado, enojado, não sei o que fazer, não sei onde me enfiar. O porteiro vem falar comigo alguma coisa do prédio, já com aquele tom servil, já se desculpando por tomar o meu ó tão precioso tempo, e eu tenho vontade de pegá-lo pela gola e gritar: “Você sabe que você é igual a mim, não é? Que eu sou você e que você só eu? Que a única coisa que realmente nos separa foi a barriga de onde saímos? Que se você tivesse nascido em berço esplêndido e ido à Europa, também estaria fazendo Phd, dirigindo empresa montada pelo papai ou sendo vice-presidente de multinacional – como tantos dos meus coleguinhas mais burros, tão burros quanto o mais burro porteiro, mas que estudaram em boas escolas, têm pais ricos e contatos influentes?”
Mas eu sei o que ele iria dizer. Ele diria “sim, senhor, claro, claro, sim, senhor, se o senhor diz!” Sacudi-lo pela lapela só o deixaria mais humilhado, só o deixaria mais convicto de que, diante dos caprichos insondáveis dos sinhôzinhos, melhor mesmo baixar a cabeça, concordar com tudo e fazer bem o serviço. Não vale a pena tentar entender, a vida deles é muito diferente da nossa, é outra realidade!
Como qualquer animal, inclusive eu e você, os nossos intocáveis são perfeitamente adaptados ao seu meio ambiente. Desde cedo, seus pais lhe inculcam o mais abjeto servilismo, pois bem sabem que é a melhor arma na luta pela sobrevivência. Os patrões estão sempre certos e não adianta responder, questionar, perguntar. As flies to wanton boys. Acabam com nossa vida em um momento de mau-humor e nem vão lembrar depois. Ninguém quer empregada perguntadeira, motorista com opiniões, caseiro respondão. Eles têm a realidade deles e nós, a nossa. Melhor não se misturar, não fazer amizade, não compreender. Manter sempre a distância.
Uma vez, almoçando na casa de uma amiga, ela chamou o motorista para se sentar e comer conosco, ao que se seguiram duas cenas paradigmáticas do apartheid brasileiro. Primeiro, ele, galantemente, humildemente, abjetamente, recusou: “Não, obrigado, madame, o que é isso?”
Eu não esqueço aquela expressão de onde já se viu no seu rosto, como se ele realmente, sinceramente, completamente se acreditasse mesmo em um nível diferente do nosso: imagina alguém como EU sentado à mesa com gente como VOCÊS!, seria impensável!, ele parecia estar dizendo. E também paradigmático foi o comentário em tom de confidência vitoriosa da minha amiga: “Está vendo como ele é incrível? O melhor motorista que já tive. E ainda por cima sabe o seu lugar!”
Sim, ele sabe. E ela também. Como sempre, o deslocado da história, quem não parece entender nada, quem não sabe seu lugar, sou eu. Entre essa patroa e esse motorista, qual é o meu lugar? Será que quero ter algum lugar nessa comédia de horrores? Será que meu lugar não é aqui, do lado de fora, observando, lembrando e escrevendo, tentando fazer vocês verem o horror de uma cena que talvez lhes pareça banal?
Não é uma má definição de arte engajada: tornar contagioso o horror.
(Alex Castro)
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Eu me identifico demais com os textos do Alex Castro e ando sonhando com o livro de crônicas dele de presente de Natal, hein, super dica! A ilustração é do sueco Anton Weflo.
Sonhei que o fogo gelou, sonhei que a neve fervia, sonhei que ela corava quando me via. Sonhei que ao meio-dia havia intenso luar e o povo se embevecia. Se empetecava João, se impiriquitava Maria. Doentes do coração dançavam na enfermaria e a beleza não fenecia. Belo e sereno era o som que lá no morro se ouvia. Eu sei que o sonho era bom porque ela sorria até quando chovia. Guris inertes no chão falavam de astronomia, e me jurava o diabo que Deus existia. De mão em mão o ladrão relógios distribuía e a polícia já não batia. De noite raiava o sol que todo mundo aplaudia. Maconha só se comprava na tabacaria, drogas na drogaria. Um passarinho espanhol cantava esta melodia e com sotaque esta letra de sua autoria. Sonhei que o fogo gelou, sonhei que a neve fervia e por sonhar o impossível, ai, sonhei que tu me querias.
Soñé que el fuego heló, soñé que la nieve ardia y por soñar lo impossible, ay, ay. Soñe que tu me querias!
Outros Sonhos, Chico Buarque.
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Fotos da irlandesa Helen Warner, que cria cenários de sonhos – ou pesadelos – sem photoshop e muita criatividade.
“Tanta felicidade morta tem um peso opressivo. Quanto maior a felicidade, mais fedorenta a massa putrefata. Um triplo assassinato não teria deixado a atmosfera tão pesada quanto aqueles longos beijos ao pôr-do-sol. Passo por lá e posso sentir o velho ponto de ônibus me atormentando, esfregando minha felicidade passada em minha própria cara, me acusando de não ser tão feliz quanto era, de não ser tão feliz quanto poderia ser. … Um momento realmente feliz nunca deixa de existir. Ele continua reverberando para sempre. Sua existência é tão concreta que ele quase pode ser visitado, como se visita a casa de um velho amigo.”
Os .gifs são umas das coisas mais legais da internet hoje, né? Achei sensacional o trabalho do Mr. Dormouse de animar capas de discos (algumas capas incríveis!). Tem muito mais no Tumblr!